segunda-feira, 23 de maio de 2011

ALTO SOM












Secos & Molhados, 1973.






No início dos anos 70, em plena ditadura militar, um furacão musical passou pelo Brasil e não causou danos, pelo contrário, até hoje deixa saudades na memória de muita gente. Este furacão tinha um nome e este nome ficou gravado para sempre na História da Música Popular Brasileira: Secos & Molhados! De forte impacto visual e sonoro, o Secos & Molhados de Ney Matogrosso, Gerson Conrad e João Ricardo tomaram de assalto toda a atenção do público com performances altamente provocativas e sensuais.



Todo este impacto foi devidamente registrado em disco e lançado no ano de 1973, resultando em um grande fenômeno de vendas. Secos & Molhados, o disco, é sem dúvida alguma um dos maiores tesouros da música brasileira. É nele que encontramos músicas que até hoje são cantadas em muitos lugares como por exemplo, Sangue Latino, O Vira e Rosa de Hiroshima, que era apenas um poema do eterno poetinha, Vinicius de Morais e foi musicado com sabedoria e talento por Gerson Conrad. Deve-se falar também do estreante Ney Matogrosso que através de interpretações acima da média, soube eternizar como ninguém a força e o brilho dessas canções. Apesar de Ney não cantar sozinho no grupo, era ele quem se destacava ainda mais pela sua grande presença de palco, reconhecida e aplaudida até os dias de hoje.



Sem nenhuma falha ou músicas de menor intensidade, Secos & Molhados é um disco que você põe para ouvir e sente uma grande felicidade a cada faixa. Do seu início com Sangue Latino, passando pelo O Vira, ainda encontramos pérolas como O Patrão Nosso de Cada Dia, Amor ou o psicodélico manifesto Primavera Nos Dentes. A postura da ordem imposta é narrada na breve histórinha Assim Assado enquanto que, preocupações do momento eram colocadas em Mulher Barriguda, poema de Solano Trindade. O disco segue com El Rey e Rosa de Hiroshima, passando por Prece Cósmica, Rondó do Capitão, As Andorinhas e finaliza com Fala, todas lindas canções de um grupo que marcou história.



Muitos até hoje não sabem exatamente como definir o trabalho dos Secos & Molhados, se interrogam constantemente questionando-se se era música popular brasileira ou rock. A verdade, em meu ponto de vista é que o Secos & Molhados foi um grande exercício de boa música, que permanece com seu frescor juvenil e sua qualidade inalterados até os dias de hoje!






Por Tubarão.

4 comentários:

Andressa Copelli disse...

Secos e Molhados é ótimo e eu vejo no Ney, sua herança mais dileta!

David disse...

É uma banda que mereceu e merece muito mais destaque no cenário musical, por tudo que fez e faz de bom, na música brasileira e internacional.

vanessa disse...

[red] Vanessa turma:2001 Bom na minha opinião eles marcaram e muito a vida de muitas pessoas que se apegaram a essa baNDA ;pois eles fizeram um ótimo trabalho,também marcado pelos cantores que apesar de cantar encantam... Ney Matogrosso, Gerson Conrad e João Ricardo,que mercem todos os aplausos !!!!!!!!

Nívea Paula disse...

Ney Matogrosso, João Ricardo e Gerson Conrad, conseguiam causar impacto ao publico de 70 e calafrios em vários grupos conservadores em pleno “anos de chumbo”, com sua extravagância polemica no âmbito visual e musical. O grupo unia vários ritmos indo do folclore ao rock progressivo e psicodélico, aliados a poesia de Cassiano Ricardo, João Apolinário, Vinicius de Moraes e Fernando Pessoa. É impossível permanecer estático quando somos expostos ao baixo alucinado de “Amor” (1673). E Barão Secos & Molhados foi um marco na história do rock brasileiro, fazendo até frente na época com Queen e Led Zeppelin.