quinta-feira, 21 de julho de 2011

Novidade...

‘No Brasil a saúde anda tão bem, que até morto recebe tratamento médico!’

Parece até piada, mas infelizmente é notícia. O fato é que o TCU descobriu e divulgou, no último dia 06, uma lista com 15 municípios brasileiros, entre os quais, o SUS pagou por tratamentos de alta complexidade e/ou por internações que se mantiveram mesmo após o óbito dos pacientes... - Absurdo! Ultraje!’ Dirá o leitor ao se deparar com a notícia?... Não! Na verdade os brasileiros “querem é novidade”, (talvez por isso mesmo, o fato não tenha sido ventilado pelos jornais locais no Rio de Janeiro...). Notícias como esta borbulham toda semana, e há tempos, ao menos uma vez por ano um Ministro da República ‘cai’ após denúncias de corrupção. –Ora! Em 2011 se foram dois: Fazenda e Transporte. É um recorde! E acerca disso nada fará o eleitor, como em tantos outros casos não o fez. E apesar de ser animador tratar do tema Saúde, entendo como absurdo maior a pasmaceira geral do eleitorado brasileiro em relação aos vai-e-vem, rouba-prende, conluio-denúncia, de que sobrevive a organização política no Brasil.

Sair desta inércia é um convite que sempre fiz, mostrando um aspecto menos superficial sobre os assuntos políticos, porém nunca me apliquei em demonstrar crenças. Sim, pois que para agir ou prestar-se a defender alguma idéia é antes, preciso crer. Sinto-me agora então obrigada a afirmar publicamente a crença em nada. Não vi uma corrente de pensamento que me levasse a crer; as propostas partidárias, atuais, firmam-se sobre o sistema que aí está e por isso mesmo não me inspiram. Que me perdoem os socialistas, democratas, autocratas, déspotas, anarquistas e tantos outros que defendem uma idéia. Apresentem-me um homem indiscutivelmente honesto para defender suas causas, suas idéias e sua fé e quiçá lhes seguirei! Porque para qualquer proposta, haverei de explorar a linha tênue entre egoísmo e benevolência, entre o que o ser humano busca pra si e o que pode buscar para os outros. Desde tempos antigos, os reis, o clero, os profetas, os sacerdotes, os sultões, e toda a sorte de governo sobre um povo, aquilo que sempre impediu as organizações sociais de serem justas: a volúpia, o interesse e o egoísmo. Não agora seria diferente, isso é um fato, e é o que me permite não seguir corrente alguma, porém não é obstáculo à participação nos acontecimentos políticos que se dão por aqui. Até porque no Brasil o voto é obrigatório e mesmo os que não votam ou votam nulo acabam por fazer parte de um grupo e alimentar algum tipo de estatística, tornando assim a todos os cidadãos agentes do enredo.

Participar não significa se filiar a um partido, se candidatar a algum cargo público e ingenuamente crer que vai mudar tudo, também não é fazer ato público na praia, ou qualquer coisa do tipo, pois se a proposta de protesto não for revolucionária, conseguirá apenas algumas medidas imediatistas. Considero que participar é cobrar. Escolher um candidato acompanhá-lo, não votar nele de novo caso não corresponda. Apoiar projetos de lei que permitam mecanismos de benefícios à sociedade como um todo, e não apenas a este ou aquele grupo, significa ter uma visão macro da sociedade, significa estar educado (e educar!), e é isso que procuro fazer. Por hora sigo, reclamando sim, deixando claro que sei bem o que acontece por aí, na câmara, no plenário e nas urnas; que vejo a podridão que se esconde nos discursos vagos, nas maquiagens de índices e nas manchetes de jornais pagos; que não há ainda quem não seja corruptível em algum aspecto, mas que adoraria que não fosse assim, e que sim ainda agora depois de tanto me espantar, não hei de condescender ou ignorar as notícias que me chegarem a este respeito. Eu também quero novidade!

Um comentário:

Boteco da Petit disse...

Olá Andressa!
Fiquei realmente envolvida com a leitura de seu post.Concordo com você plenamente e de fato sabemos que mesmo quem se diz desinteressado com a política acaba participando dela mesmo quando anula um voto.
Entendo que não devemos aceitar e muito menos nos conformar com o cenário que nos é apresentado.Não aceito a idéia de que os personagens eleitos não cumpram seu papel que é o de nos servir, porque na teoria eles são nossos funcionários.No entanto isso não ocorre.temos funcionários que recebem mais que seus patrões e de forma alguma trabalham em benefício deles.O interesse é sempre unilateral.E qualquer um que tem o mínimo de consciência política pode se revoltar com a grande maioria ignorante que se rende à dentaduras, frangos, material de construção e uma série de outros itens de barganha.Tento trazer à tona e ao conhecimento cada absurdo que surge.Voto, mando cartas, envio emails, me movimento de alguma forma para impedir que absurdos cada vez maiores aconteçam.Se eu fizer a minha parte, alguma coisa pode mudar.
Adorei mesmo saber que não sou a única que se revolta e que espera provocar algum tipo de mudança. Bjs!!!!